Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues
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Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues comenta sobre o medo do diagnóstico e como ele afasta mulheres da mamografia

O Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, médico radiologista e ex-secretário de Saúde, observa com frequência um paradoxo que compromete a saúde de muitas mulheres: quanto mais se fala sobre o câncer de mama, mais o medo do diagnóstico cresce, e esse medo, paradoxalmente, leva ao afastamento do exame que poderia salvar vidas. 

Este artigo examina como o impacto emocional do medo interfere na adesão à mamografia, quais são os mecanismos psicológicos por trás desse comportamento e como o sistema de saúde pode agir para romper esse ciclo.

Por que o medo do diagnóstico faz mulheres evitarem a mamografia?

O medo é uma resposta emocional natural diante da possibilidade de uma notícia grave. No contexto do câncer de mama, ele se manifesta como evitação: a mulher que teme o resultado ruim opta, inconscientemente, por não realizar o exame. Sem o exame, não há diagnóstico. Sem diagnóstico, não há confirmação do que mais se teme. Essa lógica é irracional do ponto de vista clínico, mas faz sentido emocional para quem a experimenta.

Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues esclarece que esse comportamento é mais comum do que os dados oficiais conseguem capturar. Muitas mulheres que não aparecem nas estatísticas de rastreamento não estão ausentes por falta de acesso ou informação, mas por bloqueio emocional. Identificar esse perfil exige escuta qualificada por parte dos profissionais de saúde e uma abordagem que vá além da orientação técnica sobre a importância do exame.

Quais mecanismos psicológicos explicam esse comportamento de evitação?

A psicologia chama de viés do avestruz a tendência humana de ignorar informações potencialmente negativas para evitar o desconforto emocional que elas causam. No campo da saúde, esse mecanismo se traduz em consultas adiadas, exames não realizados e sintomas minimizados. A mente cria uma falsa proteção ao evitar o confronto com a possibilidade da doença, mesmo que esse comportamento aumente o risco real de dano.

As sociedades em que o câncer ainda é associado a morte inevitável e sofrimento intenso tendem a gerar mais evitação diagnóstica. Quando a narrativa pública sobre o câncer de mama é dominada pelo drama e pela tragédia, em vez de ser orientada pela cura e pela sobrevivência, o medo se alimenta de imagens distorcidas que pouco refletem a realidade atual do tratamento oncológico.

Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues

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Como os profissionais de saúde podem abordar esse medo de forma eficaz?

A comunicação médica tem papel decisivo na redução do medo. Profissionais que explicam o exame com clareza, que normalizam a mamografia como parte da rotina de saúde e que apresentam dados sobre as altas taxas de cura quando o diagnóstico é precoce contribuem diretamente para diminuir a ansiedade das pacientes. A linguagem usada na consulta pode tanto acolher quanto amplificar o medo, dependendo de como o tema é abordado.

Vinicius Rodrigues reforça que o acolhimento emocional não é responsabilidade exclusiva de psicólogos. Médicos radiologistas, enfermeiros e técnicos que atuam no momento do exame podem criar um ambiente de segurança e tranquilidade que transforma a experiência da mamografia. Quando a mulher sente que está sendo cuidada e não apenas processada, a probabilidade de ela retornar no ano seguinte aumenta de forma expressiva.

De que forma campanhas e políticas públicas podem ajudar a romper esse ciclo?

Campanhas de saúde que apresentam histórias de mulheres que sobreviveram ao câncer de mama após diagnóstico precoce têm potencial de ressignificar o exame no imaginário coletivo. Em vez de associar a mamografia ao medo, é possível conectá-la à coragem, ao autocuidado e à possibilidade concreta de cura. Essa mudança de enquadramento é tão importante quanto qualquer avanço tecnológico no diagnóstico.

Assim, o Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues salienta que enfrentar o medo do diagnóstico é parte integrante de qualquer política séria de rastreamento mamário. Ignorar a dimensão emocional do problema é tratar apenas a superfície. Quando o sistema aprende a cuidar do medo com a mesma atenção que cuida do corpo, mais mulheres chegam ao exame e mais vidas são preservadas antes que seja tarde demais.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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