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Campanha de Lula aciona TSE contra Flávio Bolsonaro por suposta rede de impulsionamento digital

Ação apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta 1.826 publicações em coautoria entre 492 perfis no Instagram e pede investigação sobre uma possível estrutura coordenada para ampliar conteúdos ligados à candidatura de Flávio Bolsonaro, além da preservação de dados das plataformas e da identificação dos responsáveis.

A disputa presidencial de 2026 ganhou um novo capítulo judicial no fim de semana. A coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral duas ações distintas contra a campanha do senador Flávio Bolsonaro, do PL, adversário direto na corrida ao Palácio do Planalto. As representações miram uma suposta rede coordenada de perfis no Instagram utilizada, segundo a defesa de Lula, para ampliar de forma artificial o alcance de conteúdos eleitorais favoráveis ao candidato do PL.

A primeira ação, protocolada no sábado, dia 19 de setembro, pediu a suspensão do canal de YouTube “TV Celular”, que propaga vídeos do senador. Segundo a representação, o canal divulgaria conteúdo eleitoral com aparência de material jornalístico, o que configuraria uso indevido dos meios de comunicação para fins de campanha. O processo ficou sob relatoria do próprio presidente do TSE, ministro André Mendonça, mesmo ministro que protagoniza a atual crise no Supremo Tribunal Federal em torno do caso Banco Master.

Já no domingo, dia 20 de setembro, a campanha petista protocolou uma segunda ação, desta vez classificada como Ação de Investigação Judicial Eleitoral, direcionada contra Flávio Bolsonaro e seu candidato a vice, o deputado federal Alfredo Gaspar, do PL. Segundo a coligação de Lula, um levantamento produzido pelo Laboratório Formiga identificou 492 perfis no Instagram que, juntos, publicaram 1.826 conteúdos em formato de colaboração, o recurso conhecido como collab, que permite que uma mesma publicação apareça simultaneamente nos perfis de todos os participantes. De acordo com a petição, essa rede de perfis alcançou uma audiência acumulada superior a 147 milhões de seguidores.

Acusação de monetização irregular e venda de produtos de campanha

Além de questionar o alcance da rede de perfis, a ação da campanha de Lula levanta um ponto adicional: a suposta comercialização de produtos de campanha, entre eles um boné estampado com o número 22, vinculado à candidatura de Flávio Bolsonaro, comercializado por meio de uma loja virtual na plataforma Shopee. Para os autores da ação, essa prática configuraria um sistema paralelo de financiamento eleitoral, à margem das regras que regulam a arrecadação e os gastos de campanha no país.

Com base nesses argumentos, a coligação pede ao TSE a suspensão imediata dos links de venda dos produtos, a quebra de sigilo dos responsáveis pelos perfis junto à Meta, empresa controladora do Instagram, e, no mérito, a cassação dos registros de candidatura de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, com a consequente declaração de inelegibilidade de ambos por um período de oito anos. Caso a decisão seja mantida até o fim do processo, os dois ficariam impedidos de disputar eleições não apenas em 2026, mas também no pleito seguinte, em 2030.

A campanha de Lula também solicitou à Câmara dos Deputados e ao Senado informações sobre funcionários e despesas dos gabinetes de Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar e do deputado Mario Frias relacionadas à comunicação, produção de conteúdo e gestão de redes sociais, na tentativa de identificar eventual uso de estrutura pública para fins eleitorais. Até a publicação das reportagens que noticiaram o caso, a defesa de Flávio Bolsonaro não havia se manifestado publicamente sobre as acusações.

Disputa judicial é via de mão dupla entre as duas campanhas

O episódio não é isolado. Duas semanas antes, no início de setembro, Flávio Bolsonaro já havia protocolado sua própria ação contra Lula no TSE, questionando a participação do presidente como personagem central do enredo da escola de samba Acadêmicos de Niterói durante o carnaval de 2026. Para a defesa do senador, o desfile teria extrapolado os limites de uma homenagem biográfica e funcionado como promoção política antecipada, configurando abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. A ação também pede a cassação da chapa formada por Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin.

O cruzamento de ações judiciais entre as duas principais candidaturas presidenciais ilustra o nível de tensão que marca a reta final da campanha de 2026. Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, cabe agora ao TSE, sob relatoria de Mendonça no caso mais recente, decidir sobre os pedidos de liminar apresentados pelas partes, em meio a um calendário eleitoral cada vez mais apertado e a uma disputa marcada por acusações recíprocas de abuso de poder.

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