Wander Aguilera Almeida
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O checklist que o piloto esquece de fazer em si mesmo

Antes de qualquer voo, todo piloto revisa a aeronave: combustível, instrumentos, superfícies de comando. Wander Aguilera Almeida faz essa checagem com rigor, mas garante que ela não é a mais importante do dia. Piloto privado e intermediador no mercado de grãos, ele ressalta que a primeira pergunta deveria ser sobre o próprio piloto, não sobre o avião, invertendo a ordem que a maioria segue por hábito. Veja nas próximas linhas o que essa autoavaliação envolve e por que ela tende a ficar em segundo plano.

Um checklist que não está no manual da aeronave

Existe um método simples, difundido entre instrutores, para o piloto avaliar a própria condição antes de decolar: verificar doença, medicação, estresse, álcool, fadiga e estado emocional, cada item funcionando como um sinal de alerta isolado, quase invisível quando observado sozinho.

Nenhum desses fatores tende a aparecer sozinho de forma óbvia. Uma noite mal dormida, somada a uma discussão de trabalho antes de embarcar, dificilmente soa como motivo suficiente para cancelar um voo, ainda que a combinação dos dois já comprometa boa parte da atenção necessária no ar. Sozinho, nenhum desses pontos tende a impedir um voo; juntos, formam um quadro que merece atenção antes de ligar o motor.

Por que essa parte tende a ficar de fora?

A aeronave é um objeto: pode ser inspecionada item por item, com resultado claro no fim da checagem. Falha ou não falha, o instrumento mostra o dado sem ambiguidade nenhuma. O próprio corpo e a própria mente não funcionam assim, e reconhecer que algo está fora do normal exige um tipo de honestidade que nem sempre é fácil de sustentar, sobretudo quando existe compromisso marcado do outro lado.

Wander Aguilera Almeida

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Segundo Wander Aguilera Almeida, admitir cansaço ou distração antes de um voo já compromissado com passageiros ou horário parece, para muita gente, sinal de fraqueza. Cancelar por causa da aeronave é visto como prudência; cancelar por causa de si mesmo, como exagero, mesmo quando o risco real é exatamente o mesmo nos dois casos e a consequência de ignorá-lo não escolhe qual dos dois motivos originou o problema.

Quando vale a pena adiar o voo?

Não existe fórmula exata para essa decisão, mas alguns sinais pesam mais do que outros: menos de seis horas de sono na noite anterior, qualquer medicação que cause sonolência, uma refeição pulada antes de um voo mais longo, ou uma discussão que ainda ocupa a cabeça minutos antes da decolagem prevista.

Ignorar esse tipo de sinal sem sequer verificar é o tipo de aposta que só compensa até o dia em que deixa de compensar, resume Wander Aguilera Almeida. Um voo adiado por algumas horas raramente causa problema sério; um erro cometido por falta de atenção pode custar muito mais do que o atraso evitado, às vezes de forma irreversível e sem chance de correção posterior.

Uma disciplina que vale para qualquer decisão de risco

Essa mesma lógica, de parar e avaliar antes de agir, aparece fora da cabine também. Fechar uma negociação importante cansado ou emocionalmente abalado tende a produzir os mesmos erros de julgamento que voar sem estar em condições plenas: pressa, leitura errada de um detalhe, decisão tomada sem toda a atenção necessária para pesar o que realmente importa naquele momento.

É esse cuidado consigo mesmo que, de acordo com Wander Aguilera Almeida, diferencia quem decide com clareza de quem apenas espera que tudo dê certo mais uma vez, seja no comando de uma aeronave, seja em qualquer negociação que exija a cabeça no lugar certo e o julgamento livre de pressa.

 

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