PSAVs: Por que auditorias independentes agora são exigência?
Paulo de Matos Junior, empresário do segmento financeiro, nas áreas de câmbio e intermediação de criptoativos, pontua que muitas empresas do setor acreditavam que manter controles internos sólidos seria suficiente para atender à regulação, mas as novas normas do Banco Central vão além disso ao exigir verificação externa independente sobre a própria estrutura de controles. A camada adicional de checagem muda de forma significativa a rotina de compliance das PSAVs autorizadas.
Por que controles internos não bastam?
Uma empresa pode desenvolver políticas internas robustas de segurança, governança e prevenção à lavagem de dinheiro, mas, sem verificação externa, não existe garantia independente de que essas políticas realmente funcionam na prática do dia a dia. Auditorias internas, conduzidas por funcionários da própria empresa, carregam inevitavelmente algum grau de conflito de interesse, ainda que realizadas com boa-fé pela equipe responsável, simplesmente por não haver distanciamento suficiente entre quem cria e quem avalia o controle.
A exigência de auditoria independente, tal como explica Paulo de Matos Junior, busca justamente eliminar essa limitação, trazendo um terceiro sem vínculo direto com a gestão da empresa para avaliar de forma imparcial se os controles declarados realmente correspondem à prática operacional observada. Empresas de auditoria independente também assumem responsabilidade profissional pela qualidade do parecer emitido, o que aumenta o peso do compromisso com a exatidão da análise.
As auditorias independentes precisam cobrir vários pontos de risco em criptoativos
As normas exigem que PSAVs autorizadas se submetam a auditorias periódicas cobrindo áreas como segurança da informação, segregação patrimonial dos recursos de clientes e efetividade dos controles de prevenção à lavagem de dinheiro. Os relatórios resultantes dessas auditorias precisam ficar disponíveis para consulta do Banco Central sempre que solicitado, funcionando como registro formal do nível de conformidade da empresa em cada período avaliado, além de servirem de base para eventuais ações corretivas.
A frequência e o escopo exato dessas auditorias tendem a variar conforme o porte e a modalidade da PSAV, com empresas custodiantes de maior volume enfrentando exigências mais rigorosas do que operações menores dedicadas exclusivamente à intermediação de operações. Paulo de Matos Junior retrata que custodiantes de grande porte, em especial, tendem a se submeter a ciclos de auditoria mais frequentes ao longo do ano.

Paulo de Matos Junior
Como o mercado de auditoria está se adaptando?
O crescimento da demanda por auditorias especializadas em criptoativos tem atraído tanto empresas de auditoria já consolidadas no mercado financeiro tradicional quanto novas consultorias focadas especificamente em ativos digitais e infraestrutura blockchain. A combinação entre experiência tradicional e conhecimento técnico específico tende a elevar a qualidade geral do serviço oferecido ao setor, beneficiando diretamente as PSAVs que buscam parceiros de auditoria realmente capacitados.
Auditores que já prestavam serviço a bancos e fintechs enfrentam a necessidade de desenvolver competência técnica específica sobre custódia de criptoativos, carteiras digitais e segurança de infraestrutura blockchain, áreas que não faziam parte do escopo tradicional de auditoria financeira até recentemente. Programas de capacitação voltados a esse novo perfil de auditor já começam a surgir em resposta a essa demanda crescente, tanto em cursos especializados quanto em certificações específicas do setor.
O reflexo da auditoria independente para o investidor
Na avaliação de Paulo de Matos Junior, a exigência de auditoria independente funciona como uma camada adicional de confiança para o investidor final, que passa a contar com verificação externa sobre práticas que antes dependiam exclusivamente da palavra da própria empresa sobre sua conformidade regulatória. Garantias externas desse tipo tendem a pesar cada vez mais na decisão de investidores institucionais.
Empresas que divulgam publicamente o resultado de suas auditorias, mesmo além do mínimo exigido pelo regulador, tendem a se diferenciar perante investidores mais criteriosos, que passam a considerar essa transparência voluntária como sinal adicional de maturidade e comprometimento com boas práticas de mercado. Divulgar resultados de auditoria de forma proativa, e não apenas quando exigido, começa a se tornar prática associada a empresas mais consolidadas do setor.







