Fórum da RNP debate soberania digital, inteligência artificial e redes abertas em Brasília
Evento começa nesta segunda-feira (24) e reúne academia, governo e setor de tecnologia para discutir infraestrutura nacional, dados, IA, segurança digital e autonomia tecnológica do Brasil
A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) iniciou nesta segunda-feira, 24 de agosto de 2026, a 15ª edição do Fórum RNP, em Brasília. O encontro, que segue até 27 de agosto, tem como tema “Soberania Digital – Dados, IA e Pessoas” e coloca no centro da discussão a capacidade brasileira de desenvolver, controlar e utilizar tecnologias estratégicas. A programação reúne representantes da academia, governo, instituições de pesquisa e setor de tecnologia. (RNP)
O evento acontece em um momento de rápida expansão da inteligência artificial e de crescente dependência de infraestrutura tecnológica fornecida por empresas estrangeiras. Entre os assuntos previstos estão computação avançada, governança de dados, segurança, privacidade, ética, regulação, redes avançadas, serviços digitais, nuvem e inovação. A discussão busca avaliar como o Brasil pode ampliar sua capacidade tecnológica sem se isolar das redes e plataformas internacionais. (RNP)
A programação também aproxima diretamente política pública e tecnologia. A soberania digital deixou de ser apenas uma questão técnica e passou a envolver decisões sobre infraestrutura, proteção de dados, formação profissional, segurança nacional e capacidade do Estado de utilizar tecnologias estratégicas. Para a RNP, fortalecer essas áreas é fundamental para que o país tenha maior autonomia diante das transformações provocadas pela IA. (RNP)
Soberania digital entra no centro do debate
A principal discussão do Fórum RNP está relacionada ao conceito de soberania digital. Na prática, o termo envolve a capacidade de um país controlar e desenvolver elementos essenciais de sua infraestrutura tecnológica, incluindo dados, redes, sistemas computacionais e conhecimento especializado.
A questão ganhou importância com a expansão de serviços de computação em nuvem e modelos avançados de inteligência artificial desenvolvidos principalmente por grandes empresas internacionais. O Brasil utiliza essas tecnologias em diferentes setores, mas enfrenta o desafio de desenvolver competências próprias para não depender exclusivamente de infraestrutura externa.
Segundo a RNP, o debate de 2026 procura justamente discutir como integrar pessoas, dados e sistemas inteligentes para ampliar a autonomia tecnológica brasileira e criar novas formas de colaboração e desenvolvimento. (RNP)
Inteligência artificial muda as prioridades do país
A inteligência artificial ocupa uma posição central na programação. O avanço dos modelos de IA aumenta a demanda por capacidade de processamento, armazenamento de dados, conectividade de alta velocidade e profissionais especializados.
Esse cenário exige investimentos que vão muito além da aquisição de softwares. Um país que pretende desenvolver suas próprias aplicações de inteligência artificial precisa contar com infraestrutura computacional, redes de alta capacidade, centros de dados, universidades, pesquisadores e profissionais qualificados.
A discussão do Fórum RNP também aborda os impactos sociais da tecnologia. Especialistas que participam do evento destacam que a adoção da IA pode gerar ganhos de produtividade, mas também aumentar desigualdades caso educação, capacitação profissional e acesso à tecnologia não avancem no mesmo ritmo. (RNP)
Dados passam a ser tratados como infraestrutura estratégica
Outro ponto importante do evento é a transformação dos dados em uma infraestrutura crítica. Sistemas de inteligência artificial dependem de grandes volumes de informações para funcionar, o que aumenta a importância de políticas relacionadas a armazenamento, governança, segurança e compartilhamento.
Para o setor público, essa questão é ainda mais sensível. Governos administram informações relacionadas a saúde, educação, segurança, arrecadação e serviços públicos. A forma como esses dados são armazenados e processados pode afetar tanto a eficiência administrativa quanto a segurança dos cidadãos.
Por isso, o Fórum inclui discussões sobre governança de dados, ciência aberta, privacidade, ética e regulação. O objetivo é encontrar um equilíbrio entre estimular inovação e garantir que o uso das informações ocorra de maneira segura e responsável. (RNP)
Redes abertas e infraestrutura 5G também entram na pauta
A agenda do evento também aborda o desenvolvimento de redes avançadas e abertas, incluindo tecnologias relacionadas ao 5G. A infraestrutura de telecomunicações é considerada fundamental para ampliar o acesso à inteligência artificial e a outros serviços digitais.
Redes mais modernas permitem conectar dispositivos, empresas, instituições públicas e centros de pesquisa com maior velocidade e menor latência. Isso cria condições para aplicações de Internet das Coisas, automação industrial, cidades inteligentes e serviços digitais avançados.
A discussão sobre redes abertas também envolve a possibilidade de ampliar a interoperabilidade entre diferentes equipamentos e fornecedores, reduzindo determinadas dependências tecnológicas e criando um ambiente mais competitivo para a infraestrutura de telecomunicações. (TeleSíntese)
Segurança e privacidade ganham importância
O crescimento da infraestrutura digital aumenta também a superfície de exposição a ataques cibernéticos. Por isso, segurança digital e privacidade estão entre os principais eixos do Fórum.
Quanto maior a quantidade de sistemas conectados e dados armazenados digitalmente, maior é a necessidade de mecanismos capazes de impedir acessos indevidos, interrupções e vazamentos. A inteligência artificial acrescenta uma nova camada de complexidade porque pode ser utilizada tanto para defesa quanto para sofisticar ataques.
A RNP colocou segurança, privacidade, ética e regulação entre os eixos oficiais do encontro, reforçando que a discussão sobre soberania tecnológica não se limita à capacidade de produzir equipamentos ou desenvolver softwares. (RNP)
Formação profissional é considerada essencial
Um dos pontos destacados pelos especialistas do Fórum é a necessidade de formar profissionais capazes de utilizar e desenvolver as novas tecnologias.
Arthur Igreja, um dos participantes do evento, argumenta que soberania digital não depende somente de infraestrutura. Para ele, um país pode possuir equipamentos e sistemas avançados, mas continuará limitado se não tiver profissionais capazes de desenvolver, operar e aperfeiçoar essas tecnologias. (RNP)
A formação profissional ganha ainda mais importância com a expansão da IA. Em vez de simplesmente executar tarefas repetitivas, trabalhadores tendem a assumir funções relacionadas à supervisão, avaliação e tomada de decisões sobre sistemas automatizados.
Essa transformação aumenta a demanda por conhecimentos técnicos, mas também por pensamento crítico, capacidade analítica e compreensão dos impactos sociais da tecnologia. (RNP)
Governo, universidades e empresas participam
O Fórum RNP funciona como um espaço de aproximação entre diferentes setores envolvidos na transformação digital brasileira. A programação reúne gestores públicos, pesquisadores, universidades e empresas de tecnologia, criando oportunidades para discutir problemas que não podem ser resolvidos isoladamente.
Essa integração é importante porque o desenvolvimento tecnológico depende de diferentes competências. Universidades produzem pesquisa e formação, empresas transformam conhecimento em produtos e serviços e o governo estabelece políticas públicas, regula setores estratégicos e financia parte da infraestrutura científica.
A RNP destaca que o evento pretende fortalecer justamente essas conexões e estimular projetos de colaboração relacionados à ciência, educação, inovação e tecnologia. (RNP)
Debate acontece em momento estratégico para o Brasil
A realização do Fórum ocorre enquanto o Brasil amplia seus investimentos e discussões sobre inteligência artificial. O país precisa decidir como participar de uma economia cada vez mais dependente de dados e sistemas automatizados sem abrir mão de sua capacidade de definir políticas próprias.
A questão envolve também infraestrutura. Modelos avançados de IA demandam enormes quantidades de processamento e energia, além de redes robustas e centros de dados. Isso transforma tecnologia em uma questão ligada também a energia, telecomunicações, educação, indústria e desenvolvimento econômico.
Por isso, o debate sobre soberania digital tende a ganhar espaço na formulação das políticas públicas brasileiras nos próximos anos.
O que o Fórum RNP pode representar
A 15ª edição do Fórum RNP não apresenta uma única solução para a transformação digital brasileira. O objetivo é reunir diferentes setores para discutir caminhos possíveis para aumentar a autonomia tecnológica e preparar o país para os efeitos da inteligência artificial.
A programação inclui sete grandes eixos: Inteligência Artificial e Computação Avançada; Dados e Ciência Aberta; Governança, Gestão, Liderança e Cultura Digital; Segurança, Privacidade, Ética e Regulação; Soberania Digital; Redes Avançadas, Serviços Digitais, Nuvem e Infraestrutura; e Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação. (RNP)
Com o evento acontecendo em Brasília entre 24 e 27 de agosto, a discussão coloca a tecnologia definitivamente dentro da agenda estratégica nacional. O principal desafio será transformar os debates sobre soberania, IA, dados e infraestrutura em políticas capazes de gerar conhecimento, inovação e capacidade tecnológica dentro do Brasil.






