Yuri Silva Portela
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Saúde no interior: Doutor Yuri Silva Portela destaca os desafios do acesso

Viver no interior pode significar enfrentar longas distâncias para conseguir uma consulta, realizar exames ou encontrar determinados profissionais. Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, acompanha de perto uma realidade em que aproximar o cuidado da população exige compreender as particularidades de cada território. Em muitas comunidades, o desafio não está apenas na existência de um serviço de saúde, mas na possibilidade de chegar até ele e manter um acompanhamento contínuo.

Leia mais a seguir!

Por que a distância ainda interfere no atendimento?

Em cidades pequenas e comunidades mais afastadas, determinados serviços podem estar concentrados em municípios maiores. Isso transforma uma consulta ou um exame em uma tarefa que envolve deslocamento, transporte e organização da rotina. Para pessoas idosas, com limitações de mobilidade ou dependência de familiares, essas dificuldades podem ser ainda maiores. Em alguns casos, o esforço necessário para chegar ao atendimento pode fazer com que consultas e exames sejam adiados ou até deixados de lado.

A distância também pode interferir na continuidade do cuidado. Quando cada atendimento exige uma nova viagem, o paciente pode ter mais dificuldade para manter retornos, acompanhar tratamentos ou realizar procedimentos solicitados. Assim, uma barreira geográfica acaba produzindo consequências que ultrapassam o momento da consulta. O acompanhamento irregular pode dificultar a percepção de mudanças no estado de saúde e comprometer a continuidade das orientações recebidas.

Essa realidade mostra por que levar atendimento ao interior não significa simplesmente ampliar o número de consultas. O Doutor Yuri Silva Portela expressa uma perspectiva que considera as condições concretas encontradas pelas comunidades, pois a assistência precisa estar próxima das necessidades de quem vive nesses territórios. Compreender essas particularidades é um passo importante para pensar soluções que reduzam deslocamentos e tornem o acesso ao cuidado mais compatível com a realidade local.

O que falta quando o serviço existe, mas está longe? 

O Doutor Yuri Silva Portela destaca que ter uma unidade de saúde na região não garante que todos os cuidados necessários estejam disponíveis no mesmo local. Consultas especializadas, determinados exames e profissionais de diferentes áreas podem exigir encaminhamentos para outros municípios. O resultado é uma rede que, para o paciente, pode parecer fragmentada. Essa situação pode tornar o percurso até o atendimento mais demorado e exigir que o paciente organize diferentes etapas para conseguir concluir o acompanhamento.

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Nesse cenário, a organização do atendimento se torna fundamental. Encaminhamentos claros, comunicação entre profissionais e orientação adequada podem evitar deslocamentos desnecessários e reduzir a possibilidade de o paciente se perder entre diferentes serviços. Quanto mais complexo for o percurso, maior a importância de oferecer suporte durante o processo. Quando as informações são bem coordenadas, o paciente consegue compreender melhor onde deve ser atendido, quais procedimentos precisa realizar e quais serão os próximos passos.

A tecnologia consegue encurtar essas distâncias?

A expansão de recursos digitais criou novas possibilidades para regiões afastadas. A telemedicina pode permitir determinados acompanhamentos e orientações sem que o paciente precise viajar em todas as etapas do cuidado. Quando utilizada de maneira adequada, ela pode complementar o atendimento presencial e facilitar o contato com profissionais que não estão disponíveis localmente. Essa alternativa também pode ser útil para reduzir deslocamentos em situações nas quais o acompanhamento remoto é suficiente, tornando algumas etapas do cuidado mais acessíveis.

Entretanto, a tecnologia não elimina a necessidade de estrutura física. Há situações que exigem exame clínico, procedimentos ou equipamentos específicos. Além disso, conexão à internet, dispositivos e familiaridade com ferramentas digitais não estão igualmente disponíveis para todas as comunidades. Em síntese, ampliar o uso de recursos digitais também exige considerar as condições de acesso da população, evitando que uma solução criada para aproximar o atendimento acabe excluindo quem não consegue utilizá-la.

Por isso, o Doutor Yuri Silva Portela avalia que soluções para o interior precisam combinar diferentes formas de assistência. O atendimento remoto pode ajudar a reduzir algumas barreiras, enquanto ações presenciais continuam necessárias para garantir que a população tenha acesso ao cuidado que não pode ser oferecido à distância. A integração entre essas modalidades permite adaptar o atendimento às necessidades de cada território, sem transformar a tecnologia em substituta automática da presença dos profissionais.

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